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O experiente Carlos Lemos

Depois de uma inesquecível experiência fora do Brasil, o arquiteto Carlos Lemos diz ter entrado em contato com diferentes formas de pensar, desenvolver e executar projetos de arquitetura. Proprietário da empresa Lemos, ele lidera uma estrutura de produção experiente e consolidada. Atende clientes da área comercial, hoteleira, industrial e imobiliária além de loteadores, clubes, associações e prefeituras. Confira uma entrevista exclusiva com esse profissional tão criativo e versátil:

Qual a diferença entre os projetos realizados em Portugal e nos Estados Unidos em relação ao Brasil?

A própria experiência de viver em locais tão diferentes, como Portugal Estados Unidos, é por si só uma aventura empolgante. E, a forma de pensar a arquitetura lá é diferente, mas os processos de desenvolvimento são semelhantes. Em Portugal, partíamos da função e das atividades a serem projetadas para determinar a forma e o volume do projeto a ser construído. Nos Estados Unidos o objetivo era adequar uma imagem bastante forte e assim dar seguimento à concepção dos espaços. Claro, essa é uma simplificação de ambas as realidades, pois temos muitos outros pontos de semelhanças e diferenças e trabalhar essas realidades foi muito enriquecedor. Mais interessante e desafiador ainda foi coordenar uma equipe de arquitetos norte-americanos no desenvolvimento de um projeto de um cliente português, cujo projeto seria executado em sua terra natal.

Como é dirigir sua própria empresa?

A possibilidade de desenvolver um trabalho próprio foi decisiva no meu retorno ao Brasil, pois é a concretização de um planejamento que começou ainda na época da universidade. É claro que dirigir uma empresa não reflete apenas o lado criativo da arquitetura, mas nos possibilita crescer também nas mais diversas áreas e envolve, além do processo de criação e desenvolvimento de uma linha conceitual de trabalho, contato também com a organização financeira da empresa, relações pessoais com equipe e parceiros, marketing e administrativo. O grande desafio é conseguir equilibrar e impulsionar todos esses aspectos sem prejudicar ou descaracterizar a aspiração máxima que é fazer um trabalho adequado a cada cliente. Por isso, a necessidade de trabalhar em equipe e proporcionar que essa equipe, formada por profissionais de diferentes áreas, possa desempenhar suas funções da melhor forma possível.

Há quanto tempo você atua de maneira individual no mercado?

Trabalho com arquitetura muito antes de me graduar e já na época da faculdade atuava na área, trabalhando para um dos maiores escritórios de Porto Alegre. Foi nesse lugar que aprendi o dia a dia de um escritório de arquitetura e foi lá que pude perceber o que era importante apresentar como profissional. Desde então, são 25 anos trabalhando como arquiteto. O escritório Lemos Arquitetura tem dois momentos especiais, aquele onde nasceu, em 1987, logo ao me graduar, e aquele onde retornei ao Brasil, em 1997, pois foram momentos de intensa produção e crescimento.

Que ponto você considera importante no processo de fidelização de clientes?

Essa é uma pergunta interessante, pois cada cliente tem uma necessidade diferente. Fidelização é apresentar um bom trabalho e poder perceber e atender às expectativas do cliente, sejam elas o resultado de um projeto especialmente marcante, ou possibilitando que as atividades paralelas possam ser desenvolvidas sem transtornos para que o cliente perceba que ao nos contratar ele recebe muito mais que um projeto de arquitetura. Fidelizar é ir além da expectativa inicial e receber, ao final do projeto, aquele abraço especial com um sorriso no canto dos olhos, admirado e feliz.

Como é trabalhar com grandes incorporadoras?

É um desafio e uma grande recompensa. Um desafio porque para o trabalho com grandes incorporadoras não basta apenas desenvolver um projeto. É necessário adequar esse projeto às características da empresa, à sua linha de trabalho e, em especial, a todos os seus parâmetros. É preciso ter versatilidade e grande poder de resposta, pois os prazos são bastante definidos através de um cronograma que envolve um número muito grande de empresas envolvidas. Uma grande recompensa porque o trabalho é diretamente relacionado à integração entre empresas de diferentes especialidades e trabalhar em equipe é um exercício fundamental para a proposta de apresentarmos um excelente resultado final.

Que tipo de material renovável você utiliza em seus projetos?

A preocupação pela utilização de materiais que possam ser reutilizados e/ou são provenientes de uma renovação é está sempre presente nos meus projetos, pois temos a preocupação de verificar como e de que forma tais materiais foram desenvolvidos e isso orienta nossas decisões junto ao cliente. Muitas vezes, o cliente não percebe que essa preocupação existe e nem sempre têm essa preocupação, por isso temos consciência que este é um serviço a mais a lhe oferecer, ainda mais quando o custo deste item não representa um impeditivo para sua utilização. O aproveitamento de madeiras e a utilização de madeiras certificadas, vidros e acrílicos, em especial, são alguns dos materiais aos quais damos preferência. Além disso, a renovação não se dá apenas no produto final, mas envolve também, muitas vezes, a possibilidade de adequarmos ou modernizarmos uma peça, otimizando-a, ao invés da compra de uma nova.

Qual técnica você utiliza para o controle de energia?

Este é um dos itens mais importantes! Não apenas o controle de energia, mas uma preocupação maior com o controle no consumo de água e gás, por exemplo. Hoje em dia, indicamos a utilização de equipamentos de menor consumo e maior eficiência energética e dispomos também da dimerização e de potenciômetros que nos possibilitam monitorar estes custos, evitando seu desperdício e, consequentemente, diminuindo o consumo final do cliente. No caso de água e gás, utilizando equipamentos com controle de desperdício e válvulas de retenção, de forma a evitar a perda e/ou o consumo desnecessário. E, obviamente, como é uma característica dos projetos que desenvolvemos, sempre sugerimos ao cliente a utilização de sistemas de automação que, além de possibilitarem a execução das mais diferentes funções, ainda atuam no controle e na supervisão dos sistemas, evitando e/ou monitorando os consumos de energia, água e gás.

Como você define a contemporaneidade presente em seus projetos?

Meus projetos buscam uma contemporaneidade sem excessos, onde forma e função sejam reflexos das necessidades do cliente. Gosto de linhas retas e cores neutras onde posso imprimir um fundo para destacar aspectos da personalidade do cliente ou peças de mobiliário diferentes, criando um contexto aconchegante e sofisticado, mas diretamente relacionado aquele cliente específico.

O que mais marcou sua trajetória profissional até hoje?

Cada etapa destes 25 anos foram marcantes e cada projeto traz um problema e uma solução ainda mais surpreendente. Aprendo com todos e é isso que torna o meu trabalho tão diversificado e intenso. Enfrentar o desafio de abrir um escritório é por si só marcante e ter uma experiência fora do país também foi especialmente importante, mas considero como marcante o projeto que estamos desenvolvendo agora, pois é ele que nos encanta e impressiona e que nos possibilita utilizar toda a experiência que acumulamos através das experiências passadas.

O que você espera para 2012?

Um ano cheio de desafios, sempre! Desafios existem para que possamos superá-los e a superação, em arquitetura, é conseguirmos adequar todas as características de um projeto às necessidades especificas do cliente. Finalizar um projeto e perceber que este projeto atendeu ao cliente da mesma forma que nos realiza profissionalmente. Além disso, 2012 será o ano das minhas “bodas de prata”, mais um motivo especial para ser um grande ano!

Que desafios o próximo ano trás para sua vida e carreira?

A meta do escritório é a cada ano fortalecermos ainda mais nossos serviços, buscando sempre a primazia no desenvolvimento dos projetos e na forma de atender nossos clientes. O desafio de 2012 será inovar o processo de apresentação dos projetos e capacitar a equipe de forma a nos tornarmos ainda mais conscientes da nossa participação no sonho de cada cliente.

Graduado em 1987 pela faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1987, Carlos Lemos desenvolveu projetos em Portugal e nos Estados Unidos em parceria com escritórios locais durante oito anos, antes de retornar ao Brasil e dirigir a sua própria empresa. Saiba Mais
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